Há uns dias atrás, numa das minhas idas e voltas a Lisboa, li num destes jornais que se enontram nos locais movimentados, dos transportes publicos, um artigo que me fascinou bastante... pela sua seriedade e verdade. Certamente que alguem deve ter lido o mesmo artigo que eu... Atrevo-me a transcrever um pouco do que lá estava...
" (...) o ar gélido que quase me solidifica a cara torna-se mais duro com o cair da noite. Está frio em Lisboa! Está mesmo muito frio. Percorro com os olhos as montras iluminadas. São quase todas lojas de marcas caras. Escolheram esta localização exactamente por esta avenida ser uma das que ostentam maior prestigio na capital. Os estudos confirmam que estes metros quadrados que percorro estão ao nivel do que de mais caro existe no mundo. Uma noticia recente dava conta disso mesmo: uma consultora internacional fez as contas e afirma que esta é a 35ª avenida mais cara do mundo.
Entre sapatos ao alcance de 350€, gravatas trocadas por 100€ e um casaco comprido a tocar os 500€ vejo umas sombras junto ao chão. Aqui um, outro acolá. E à medida que os meus olhos deixam de estar ofuscados com as fortes luzes que ajudam a vender, observo melhor as tais sombras. São quatro. Quatro sem-abrigo. Estão ali no chão. Vão juntando os cartões. Alguns mais afortunados - perdoem-me a ironia da expressão -, puxam os cobertores velhos e sujos e aproveitam as saídas de ar, menos frias que tudo o resto, e assim se preparam para a noite. É um contraste brutal.
(...) por estes dias , quando vejo as filas nas bombas de combustivel, nas noites que antecipam um novo aumento ou promoções de sandes e sopa, fico a pensar quantas pessoas não ingerem as calorias necessárias para compensar um dia de trabalho? Não falo daquelas pessoas que pagam milhares de euros para cumprirem o regime. Os que não comem porque têm demais. Penso naqueles que simplesmente não têm dinheiro para comer como deve ser. E a dúvida percorre-me: isto está mau ou é apenas impressão minha?"
by Rui Pedro Baptista
De facto é a realidade que temos... uns com tanto... e tantos com tão pouco, ou mesmo nada. É incrivel como numa das mais caras avenidas do mundo conseguem habitar duas realidades tão diferentes... mas o que é nessa avenida da capital, é em muitas outras desse pais fora... desse mundo fora... De quem é a culpa?? Todos nós temos a nossa "cota-parte" nessas diferenças cada vez mais visiveis. O que fazemos?? muitas vezes vemos e simplesmente viramos a cara para o lado...
Deixo aqui uma saudação especial a todos os voluntários que ajudam a essa dor, a essa falta de calor, ser menor.
Certo que muitos desses sem-abrigo estão nessas circunstâncias por sua opção própria, mas da forma como as coisas estão, temo que muitos mais a curto ou médio prazo passem a fazer parte dessas estatisticas que marcam a diferença, mas não de livre vontade, mas sim porque não teram outro remédio...
Com a esperança de uma "amanhã" mais quente...
Até já!**