
O reencontro surgiu quando nunca esperado.
Afinal de contas... foi um ano passado em que nem um "Olá, como estás!" foi transmitido.
Mas o que me passava na cabeça é que "afinal se nada diz é porque está bem", e de facto assim foi... durante cerca de um ano.
Naquele dia estava perto... decidi tentar saber alguma coisa... e consegui... fazer aquele percurso novamente não foi facil... as lembranças estavam a fervilhar na minha cabeça e não me sentia bem em estar naquele sitio novamente, depois dele ter sido mandada embora sem qualquer "explicação". Não queria estar a entrar em terreno de areias movediças e que mais dia menos dia me levariam ao mesmo que ja passou... os silêncios que doem... as preocupações que aparecem... a ansiedade em querer ter um pequeno sinal de estabilidade....
Subi as escadas... como tantas outras vezes tinha feito, mas desta vez subi degrau a degrau de cabeça baixa... não queria antecipar aquele momento... não queria aperceber-me que afinal pouco, ou nada, tinha mudado.
O abraço surgiu.... e as lagrimas surgiram em ambos... realmente o espaço fisico continuava o mesmo... (apesar de há muito ali não ter entrado)... o cheiro continuava o mesmo...
Sentamo-nos nas poucas cadeiras que existiam na cozinha... apenas conseguia olhar e tentar aperceber-me o porquê dali estar... o porquê de ter voltado aquele sitio depois de ter sido simplesmente ignorada durante tanto tempo. As lembranças passavam em camara lenta na minha mente... não sabia o que estava a sentir... um misto de alegria e raiva ao mesmo tempo...
O tempo foi passando... a conversa foi calma apesar de pouco ilucidativa.
Parece que a partir dali estavamosa voltar ao inicio.... onde todos os movimentos e novidades eram comunicadas, não existia espaço para silêncios, e apenas estava a redescobrir uma fase ja vivida. A mão foi dada naquele dia... e assim permaneceu... ás vezes sente-se que aperta mais, outras vezes há em que parece que nada existe na palma da minha mão a não ser o ar que por ela passa. Os dias foram passando... e voltou tudo ao que era... os silêncios que dantes não existiam de minha parte começaram a aparecer... e certamente é o reflexo de todo o silêncio sentido durante o tempo do desencontro... Hoje... os silêncios são gelo afiado.... em que corta como folhas de papel... que parecem inofenssivas, mas podem magoar e muito. O meu silêncio é apenas o reflexo daquilo que me foi transmitido... demorei, mas aprendi a manter-me em silêncio até que decidam quebra-lo. Demorou... mas aprendi a não me meter naquilo para o qual não fui chamada... Demorou... mas aprendi a silênciar-me apesar da furia que sinto dentro de mim em certos momentos... Demorou, mas aprendi....
Hoje... trocamos palavras frias, como aquele gelo silencioso. Quando voltaremos a trocar palavras mais amenas... não faço ideia... com tudo isto também aprendi a ficar sossegada no meu canto. Apesar de ás vezes a reacção ser quase imediata e procurar saber noticias. Dizem que "as más noticias chegam depressa"... talvez seja verdade... mas a distância não ajuda a que isso aconteça.
Hoje... posso dizer que já não te conheço.
Amei-te um dia (como uma mulher ama um homem) e tu descobriste isso antes de eu propria o saber... talvez seja o "instinto maternal" que dizem que as mulheres têm que faz com que tanto me preocupe contigo, que faça com que o teu bem-estar acalme a minha impaciência e a minha sensação de incapacidade perante certas situações.
A frieza toma conta de mim e sinceramente não sei se quero que ela se vá embora. Estou cada vez mais distante, mas não apenas geograficamente.
Quando nos fecham a porta, até podemos tentar tocar á campainha, mas se não a voltam a abrir, não há maneira de conseguirmos entrar novamente. Essa mesma porta foi aberta um dia (não há muito tempo), mas a partir do momento que passei para o lado de fora, não consigo entrar novamente... pareceu-me apenas enconstada, mas não passou de ilusão de optica.
Tenho a agradecer tudo de bom... tudo de mau... tudo de "assim-assim" pelo qual passei... tirei uma boa lição... mas muitas mais terei que aprender.
Os amigos não são perfeitos, temos que conhecer as imperfeições de cada um e se não consegui-mos fazer com que melhorem, moldamo-nos a eles e assim é possivel alguma coisa.
O que faço, ou fiz, não é á procura de agradecimentos, porque não faço as coisas com esse objectivo. Se posso fazer algo de bom, porquê não o fazer?
Hoje amo-te como amigo.... apesar da distância, apesar da frieza, apesar de tudo.
Houve um dia em que eramos simplesmente os melhores amigos... e hoje... o que somos?!




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